| Quinta-feira, Abril 29, 2004 |
A Corrida
Voltando às lides. As minhas incursões pelo Ribatejo são sempre coisa para durar meses. Desta vez, desde Janeiro. Escrevo e bebo. Bebo e escrevo. Ando também a cavalo, mas normalmente não me consigo segurar na sela. E desisto ao fim da primeira queda. Depois chamo o Francisco para ir buscar o cavalo ao pasto que eu estou bêbado.
A última, estava escrevendo a porcaria de uma crónica para uma revista feminina. Eu? Logo eu? Quem se lembra de me pedir tal coisa. Eu sou um tipo das corridas de cavalos, que hão-de voltar a Portugal, dos charutos, dos copos. Agora escrever para uma revista feminina, daquelas que dão brinde e tudo? Não era para mim.
Nunca percebi muito bem esta lógica de darem brindes com as revistas. E com os jornais. Como se aquilo que se compra, a informação, não tivesse importância nenhuma. Como se o acessório fosse apenas saber o que se passa no mundo. Porque o importante é o saiote, a mochila, o pente, o creme, a amostra de shampoo, o cd, o fascículo, sei lá a panóplia de tralha que literalmente os jornais e revistas nos impingem. Alguns deles por apenas mais 9,9?.
Voltando à crónica. Que pode um escritor acabado, sem editar, sem saborear a vida, refugiado numa quinta no Ribatejo, ter para dizer ao público de uma revista feminina? Sei que podia falar de moda. Mas não conheço ninguém do meio e não mais que dois ou três nomes das páginas dos jornais. Podia falar da família real espanhola, mas também pouco sei.
Falarei certamente de cavalos, a minha paixão eterna. Do tempo em que ia para Ponte de Lima com o David, para as corridas. Onde logo de manhã nos reuníamos para estudar os animais e onde em animadas discussões decidíamos aqueles que seriam os vencedores das corridas. Era uma emoção, vê-los alinhados nas balizas de partida.
Isto tudo foi até 2002. Depois acabou. Agora, passados 2 anos, regressou tudo. Juntei-me como o meu amigo no Domingo, 18 e fomos até Calvelo para o regresso dos dias de corridas. O campeonato voltou com quatro, uma das quais apenas com cavalos nacionais. Eram 15h horas quando tudo começou e o pó dos 1500m da pista foi sacudido pela primeira vez. Sentia-se um nervoso no ar. Os cavalos galopavam na ponta do chicote e à medida que se aproximavam da linha de chegada o nervoso começava a invadir o nosso peito. Por fim cortaram a meta e saltamos de contentamento. Tínhamos ganho a primeira corrida.
Mais 3 corridas se seguiram e até ao dia de S. Martinho, onde acaba a época de corridas deste ano, vão-se realizar mais 7 eventos. Para quem nunca assistiu a uma corrida de cavalos, dê um saltinho a Calvelo, em Ponte de Lima, para ver alguns puro sangue, maravilhosos, em corridas deslumbrantes. E já agora, faça uma apostinha, nem que seja com um amigo.
posted by Artur Zetes
3:32 PM
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